Quando um RH me procura, a primeira pergunta quase sempre é a mais justa de todas: quanto custa? E a resposta que o mercado costuma dar é a mais irritante possível: depende.
“Depende” é uma resposta verdadeira e, ao mesmo tempo, inútil. Verdadeira porque uma palestra de uma hora para cem pessoas e um programa de dez horas para três turmas de liderança não podem ter o mesmo preço. Inútil porque quem pergunta precisa de um número para levar para a diretoria, e não de uma aula sobre variáveis.
Então vamos fazer diferente. Primeiro os números. Depois, o que mexe neles. Por fim, como saber se um orçamento faz sentido.
Os números, antes de qualquer explicação
Comecemos pelo mercado. Levantamentos publicados por agências de palestrantes em 2026 colocam o cachê de uma palestra corporativa, grosso modo, nestas faixas:
- Palestrantes em início de carreira ou de atuação regional: de R$ 3.000 a R$ 8.000.
- Intermediários: de R$ 7.000 a R$ 25.000.
- Experientes: de R$ 10.000 a R$ 30.000.
- Nomes conhecidos do grande público: acima de R$ 50.000.
Vale um comentário: essas fontes são de quem vende palestra, então os números tendem a puxar para cima. E a versão online costuma sair entre 60% e 70% do valor presencial, porque elimina o deslocamento.
Para programas in company, que são séries de encontros, quase não existe tabela pública. A referência mais transparente que encontrei vem do setor público, que é obrigado a publicar o que contrata. Um tribunal regional, por exemplo, pagou R$ 24.900 em 2020 por um curso in company de 16 horas para 25 servidores. Isso dá algo perto de R$ 1.550 por hora de turma. E note que o setor público costuma pagar menos que o privado.
E os números da Criterium, já que a pergunta foi feita para mim: palestra presencial a partir de R$ 5.000, palestra online a partir de R$ 3.000 e programa in company a partir de R$ 14.000. Os três são pisos. O que faz o valor subir a partir deles é o assunto da próxima parte.
O que faz o preço subir, em ordem de peso
Na hora de montar uma proposta, quatro coisas mexem no valor. Coloquei na ordem do quanto cada uma pesa.
1. Carga horária
É a variável mais forte, e a mais intuitiva. Mais horas em sala significam mais preparo, mais material e mais tempo de quem conduz.
2. Personalização
Um conteúdo construído a partir do problema da sua empresa custa mais do que um conteúdo de prateleira. É também o que mais muda o resultado, e é por isso que eu só trabalho com o primeiro.
3. Número de turmas
Este item conversa diretamente com a carga horária. Vamos supor uma empresa com 60 pessoas para treinar num programa de 6 horas. Como uma turma de programa funciona bem com no máximo 15 a 20 pessoas, são três turmas. O programa continua tendo 6 horas, mas quem conduz passa 18 horas em sala.
Repare que o que pesa é o total de horas em sala, e não o número de pessoas. Colocar 18 pessoas numa turma em vez de 12 pesa bem menos do que abrir uma turma a mais.
4. Deslocamento
Por último, a logística. Muito fornecedor cobra passagem e hospedagem à parte do cachê, e isso só aparece depois. Vale perguntar antes. Na Criterium, para São Paulo e cidades a até duas horas de distância, o deslocamento já está dentro do valor.
Por que eu peço quinze minutos antes de passar o número
Quando me pedem preço logo de cara, eu passo os pisos, como fiz acima, e explico que, para chegar ao número certo, preciso de pelo menos quinze minutos de conversa. Pode parecer enrolação, e entendo quem pense assim. O motivo é outro.
Nos anos em que trabalhei no mercado financeiro, vi um padrão se repetir em mais de uma empresa: treinamento contratado, pago, entregue, e nenhuma mudança depois. O que dava errado raramente era a qualidade do conteúdo. Era o diagnóstico. O problema real não tinha sido identificado com precisão, e o treinamento atacava uma dor que parecia urgente vista da sala da diretoria, mas que não era o que travava o time no dia a dia.
Quinze minutos de conversa servem para isso: separar a dor que existe da dor que parece existir. E essa separação muda o preço nos dois sentidos. Às vezes a empresa chega pedindo um programa de dez horas e o que ela precisa é de uma palestra para todos. Às vezes chega pedindo uma palestra, e o problema está num grupo pequeno de lideranças que uma palestra para cem pessoas não vai alcançar.
Treinamento caro, no fim, é o que ataca a dor errada, qualquer que tenha sido o preço.
“Tá, mas e se eu precisar de um número hoje, para fechar o orçamento do ano que vem?” Use os pisos acima como chão do orçamento. A conversa pode ficar para antes de assinar.
Do que desconfiar num orçamento barato, e num caro
Preço baixo e preço alto não são, sozinhos, sinal de nada. Mas os dois pedem uma pergunta.
Um orçamento muito abaixo do mercado pode indicar pouca bagagem no tema, ou um conteúdo genérico, reaproveitado de empresa em empresa sem ajuste. Num treinamento, o barato costuma sair caro de um jeito específico: o time passa uma tarde ocupado e volta para a mesa exatamente como estava.
Um orçamento muito acima, por outro lado, merece outra pergunta: o que justifica a diferença? Às vezes existe um diferencial real, e ele vale o que custa. Às vezes o preço reflete mais o nome de quem fala do que o conteúdo que chega ao time. E às vezes é só sinal de que o projeto não é prioridade para aquele fornecedor, e o número veio alto para que o próprio cliente desistisse.
O teste que separa os casos é o mesmo nos dois extremos: peça para o fornecedor explicar, item por item, de onde vem o número. Quem sabe o que está vendendo consegue.
Por onde começar com orçamento curto
Depende da dor principal. E aqui o “depende” tem resposta.
Se o problema é da empresa toda, comece por uma palestra. Ela leva o tema para todo mundo de uma vez e, se o orçamento estiver apertado, pode ser online. Se o problema é mais localizado e urgente, como uma liderança que não consegue decidir sob pressão ou um time comercial que não consegue prever o mês seguinte, o caminho é um programa só para aquele grupo.
Uma indústria de São Paulo que atendi recentemente começou exatamente pela palestra. A empresa tinha percebido que parte dos funcionários enfrentava dificuldades financeiras, ouviu o time numa pesquisa interna, e educação financeira apareceu entre os temas mais pedidos. Era um problema da empresa toda, e a palestra fazia sentido como primeiro passo.
Concluindo
Um treinamento in company custa, no mercado, de alguns poucos milhares de reais por uma palestra a algumas dezenas de milhares por um programa completo. Na Criterium, a partir de R$ 3.000.
Mas o número da proposta é só metade da conta. A outra metade é o que muda no time depois, e é ela que justifica, ou não, a primeira.
Se quiser testar esses números contra o cenário da sua empresa, uma conversa curta resolve: em quinze minutos já dá para chegar a um número. E se a sua dúvida for sobre formato, prazo ou tamanho de turma, provavelmente ela já está respondida nas perguntas frequentes.